Vi este texto acerca do Avô feito pelo Tio David e resolvi partilhar convosco:
HOMENAGEM A MANUEL EUGÉNIO FERNANDES
Nasceu no Seixal ( concelho do Porto Moniz), em 1906,no seio de uma familia modesta, ainda Portugal era uma monarquia.
Frequentou a escola onde concluiu a terceira classe, como de resto, era costume na época. Mais tarde, fez a quarta classe quando tal se tornou obrigatório para as novas gerações, e Manuel Eugénio nunca queria ficar em desvantagem.Logo na escola se distinguiu pela sua inteligência, capacidade de trabalho invulgar e uma ansia permanente de saber mais, que o acompanhou o resto da sua longa vida, criando uma enorme auto estima permanente.
Cedo começou a trabalhar e se abriu ao mundo. Aos doze anos já vinha ao Funchal tratar de assuntos comerciais do seu pai, que era um modestissimo comerciante analfabeto. Ao tempo, como se sabe, a palavra acessibilidades, ainda nem sequer fazia parte da linguagem. Assim, a viagem á cidade fazia-se a pé atravessando as serras da nossa ilha.Naturalmente, Manuel Eugénio possuidor de uma intuição rara e habilidade para estabelecer e cultivar relações dedica-se ás actividades comerciais. Porém, complementa-as com a sua paixão pela produção de vinho generoso da Madeira que, ao longo de muitas decadas foi beneficiando, utilizando o método tradicional do canteiro, passando a sua adega a ser uma referência no Norte da Madeira.Também aprendeu música e tocava orgão nas cerimónias religiosas em várias paróquias da ilha, o que o obrigava a deslocações frequentes, apesar das dificuldades de comunicação; contudo, esta actividade proporcionava-lhe um prazer enorme pelas oportunidades de convivio que trazia com gentes de outras freguesias e com elementos do clero.
Desempenhou as funções de Administrador do concelho do Porto Moniz, na decada de 1940, quando ainda não havia estrada automóvel, dando o seu contributo para a vida colectiva.
Casou-se com Maria das Dores Vasconcelos Jardim, em1932, uma jovem que viria a desempenhar uma acção notável na educação orientada para os valores da enorme prol que constituiram ( uma vez mais se verificou a máxima « por detrás de um grande homem….»).
Do casamento nasceram catorze filhos dos quais sobreviveram doze.
Sem dúvida, foram circunstancias referidas acima que marcaram e determinaram a vida, de verdadeira excepção, de Manuel Eugénio.
Na época e naquele local isolado a sobrevivência estava fatalmente ligada á agricultura, pelo que o único valor económico era o da terra.Nesse contexto, sobressai a sua capacidade de visualizar o futuro apercebendo-se que o valor passaria a estar nas pessoas e, por conseguinte, no saber.
Decide, então, investir tudo na educação dos filhos. Remando contra ventos e marés, utiliza toda a sua energia e sua enorme dedicação ao trabalho na prossecução desse seu ideal.
E, desta forma, deu um contributo notável á sociedade onde sempre esteve inserido.Contributo que foi, aliás, reconhecido pelo Presidente da República Mário Soares ao atribuir-lhe a Comenda de Mérito Industrial e Agricola.
Quis Deus que a sua vida fosse longa e proficua e assim pudesse disfrutar dos resultados dos objectivos que, com enorme tenacidade, foi construindo.
Deixou-nos no dia 18 de Setembro de 2003. Ficará para sempre a memória da sua personalidade ímpar, do seu espirito rigoroso e determinado que servirão de exemplo aos que tiveram o privilégio de o conhecer e áqueles que têm a obrigação de o perpetuar.
Funchal, 29 de Setembro de 2003-09-30